O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê! Florbela Espanca
Porque sempre existe um vazio, a soma do clichê com o inovador, a falta de pensamentos suficientemente bons para preencher os espaços de um dia completamente sem sentido. Sempre existem as frases longas, os sorrisos que não fazem brilhar os olhos, as mãos que se agitam à procura de um sentido para a vida, os pés que se embolam e tropeçam, as risadas que ecoam, as lembranças de uma infância cheia de marca e preconceitos. Porque sempre existe a culpa, o choro que escapa dos olhos durante uma madrugada insuportavelmente quente e sem graça, o ventilador que não consegue melhorar as coisas. Talvez por isso estejamos sempre tão sozinhos, talvez pela falta de jeito ou quem sabe até pela timidez insistente, pelos completos e totais erros que cometemos diariamente, e acabamos sem perceber. Talvez por isso doa tanto quando procuramos e não encontramos ninguém por perto. Talvez por isso doa tanto a leitura e a escrita de um texto tão dramaticamente comum, e ao mesmo tempo tão ridiculamente verdadeiro. Letícia Loureiro. (via perdurar)




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