Por um momento me senti caindo do sétimo andar daquele prédio em uma noite escura. Sentia aquele frio na barrigada e aquela sensação de estar perdendo alguma coisa. De estar deixando algo passar. Algo que era meu. Que sempre foi. Mas se perdeu. Aquele negócio do lado esquerdo do peito, e uma vontade de gritar bem alto “me deixa voltar, posso fazer diferente dessa vez”. Você pode ter o mundo em suas mãos, e não dar valor a isso, você só vai se importar quando tiver nada. O tudo é tão insuficiente, o tudo não te satisfaz.
- Eu quero o tudo de volta.
- Mas não terá.
A gente desperdiça tempo de mais buscando coisas que não são necessárias. Nossa cabeça gira, o coração dá um salto, as pernas tremem, a respiração se perde. É essa a sensação quando você encontra o que toda sua vida procurou. Mas você não sabe. Não sabe que era aquilo. Então você se joga desse sétimo andar, vê toda sua vida passar na frente dos seus olhos. É tarde de mais, percebe? Você já está caindo. É a gravidade, uma ação sem reversão. Você perdeu. Não tem como voltar ao início. Não tem… O nada foi o que sobrou. O nada é seu agora. O nada.
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