O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê! Florbela Espanca

                 Dia desses o amor bateu em minha porta. Era menininho esguio, de cabelos castanhos esvoaçantes, e olhar azul, quase como o céu limpo de verão. Trazia no rosto o mais lindo dos sorrisos, e, estampada em sua face alegre, todas as promessas de felicidade.

                Convidei-o para entrar, sentar e tomar um café comigo.

                _Bem quente, por favor. Com bastante açúcar e o quão forte ele puder ser.

                Nossa conversa foi longa, indaguei-o, curiosa, e sim, confesso, um tanto desesperada, por que ele sempre fora errante comigo, por que não veio antes tomar esse café, por que… Por que me fez esperar tanto! Oras, quando é amor, queremos que venha logo, não se demore em filas e afazeres desnecessários, não perca tempo no supermercado ou na espera de pão quente para o café da manhã. Pão pode ser frio, amanhecido, mas não deve ser partilhado com a solidão e presença de relacionamentos que não deram certo.

                Tagarelei sem parar, ele me observava, vez ou outra, esboçando sorrisos de canto, seus olhos vagavam por mim, e encontravam os meus.

                Era danado de bonito esse Amor.

                Mas não falava.

                Escutava atento todas as minhas palavras dispersas. Minhas dúvidas eram gritantes, mas o Amor me entendia. Senti aflição conforme as horas iam passando e me perguntei se ele iria embora assim que a noite caísse, como outros fizeram, ou se ficaria comigo e não deixaria o frio entrar pela minha janela e congelar meus sonhos de menina.

                Foi passando. E eu pedia ao relógio que se arrastasse. Estacasse. Quebrasse. Tempo. Pára!

                _Por que a angustia te aflige os olhos agora, pequena? - Amor finalmente falou.

                _O tempo passa, Amor. Assusta-me esse tic-tac incessante, pergunto-me, quando chegarás a hora de tua partida.

                E Amor riu.

                Eu tremi.

                _Amor não parte. Amor fica. Acompanha. Aconchega. Protege.

                _Tantos Amores já foram, o que me garante que tu não irás também? Teus olhos azuis e teu sorriso fácil?

                _Talvez. A beleza que vês, vem de teu coração. O s outros, pequena… Tens certeza que Amor se chamavam? Ilusão adora se fantasiar de alegria. Fazer bagunça e ir embora. Eu posso até ir, mas sou Amor, e amor volta.

                Então, de repente eu percebi … Porque nunca tinha dado certo antes.

                _Mais café, moço?

                _ Claro! – ele pausou – e nem se apresse.

                É, o amor, sempre tão paciente.

Jéssica Fernanda.

Já amanheceu? Que horas são? Parece quem nem dormi. Mas acho que sim, porque sonhei com você. No meu sonho você vinha com o mesmo sorriso faceiro de sempre. Ou talvez não tenha sido sonho, acho que eram apenas as minhas lembranças.
Eu me sinto tão cansada. Os passarinhos já estão cantando. Parecem alegres. Tem um que canta bem na minha janela, parece você quando cantava no meu ouvido. A diferença é que ele está do lado de fora…

Talvez não seja tão diferente assim.
Você está fazendo falta…
Eu estou tão cansada. Parece que nem dormi. Bom, mas eu sonhei com você…
Jéssica Fernanda

Porque sempre existe um vazio, a soma do clichê com o inovador, a falta de pensamentos suficientemente bons para preencher os espaços de um dia completamente sem sentido. Sempre existem as frases longas, os sorrisos que não fazem brilhar os olhos, as mãos que se agitam à procura de um sentido para a vida, os pés que se embolam e tropeçam, as risadas que ecoam, as lembranças de uma infância cheia de marca e preconceitos. Porque sempre existe a culpa, o choro que escapa dos olhos durante uma madrugada insuportavelmente quente e sem graça, o ventilador que não consegue melhorar as coisas. Talvez por isso estejamos sempre tão sozinhos, talvez pela falta de jeito ou quem sabe até pela timidez insistente, pelos completos e totais erros que cometemos diariamente, e acabamos sem perceber. Talvez por isso doa tanto quando procuramos e não encontramos ninguém por perto. Talvez por isso doa tanto a leitura e a escrita de um texto tão dramaticamente comum, e ao mesmo tempo tão ridiculamente verdadeiro. Letícia Loureiro. (via perdurar)

E eu só tenho a mim, eu só tenho a mim, repetiu, voltando a cair sobre a cama. Não posso sentir medo, não devo sentir medo, não quero sentir medo. Caio F. Abreu (via cerimoniais)

Vez ou outra chorava. Vez ou outra cantava. Vez ou outra era silêncio, e nada mais. DilsonGross (via poetizei)

quente-inverno:

Por um momento me senti caindo do sétimo andar daquele prédio em uma noite escura. Sentia aquele frio na barrigada e aquela sensação de estar perdendo alguma coisa. De estar deixando algo passar. Algo que era meu. Que sempre foi. Mas se perdeu. Aquele negócio do lado esquerdo do peito, e uma vontade de gritar bem alto “me deixa voltar, posso fazer diferente dessa vez”. Você pode ter o mundo em suas mãos, e não dar valor a isso, você só vai se importar quando tiver nada. O tudo é tão insuficiente, o tudo não te satisfaz.

- Eu quero o tudo de volta.

- Mas não terá.

A gente desperdiça tempo de mais buscando coisas que não são necessárias. Nossa cabeça gira, o coração dá um salto, as pernas tremem, a respiração se perde. É essa a sensação quando você encontra o que toda sua vida procurou. Mas você não sabe. Não sabe que era aquilo. Então você se joga desse sétimo andar, vê toda sua vida passar na frente dos seus olhos. É tarde de mais, percebe? Você já está caindo. É a gravidade, uma ação sem reversão. Você perdeu. Não tem como voltar ao início. Não tem… O nada foi o que sobrou. O nada é seu agora. O nada.

Jéssica Fernanda




Hoje, mais um ano se despede, e um novo bate a porta; deixe ele entrar, dê as boas vindas e comemore sua chegada de braços abertos, com muito amor no coração, pois como muitos dizem e os sábios sabem, o amor é a fonte que move o mundo.
E o que eu posso desejar além de palavras tortas em linhas retas, com sentido pra quem lê com o coração…? Mas mesmo assim eu desejo e espero, espero que meus pedidos para ti e para mim se concretizem. Que vivamos esse ano de dois mil e doze com vibrações positivas no coração, um arco-iris de paz , alegria e prosperidade no céu azul da esperança.
Que dois mil e doze brilhe! Sonhe! SEJA!
Que seja melhor que dois mil e onze, que mande a poerinha da negatividade embora, e que todos possamos nos tornar pessoas melhores, possamos cumprir nossas promessas de anos passados… As mesmas velhas promessas que todos fazemos mas nunca colocamos em prática, como: vou estudar mais, vou emagracer aqueles quilinhos, vou parar de fumar… Que dois mil e doze traga a promessa de saúde para todos, que com ela os degrausinhos que teremos que subir serão bem mais fáceis.
Assim me despeço de todos, e deixo um verso de Carlos Drummond de Andrade:

Procuro uma alegria
uma mala vazia
do final de ano
e eis que tenho na mão
- flor do cotidiano -
é vôo de um pássaro
é uma canção.


Até ano que vem!

Entre uma xícara de café, silêncio e um toque de felicidade

         Esperei o dia todo por silêncio, uma xícara de café bem quente e amargo, mas com uma quantia generosa de açúcar, e não posso me queixar se só recebi meus pedidos um pouco antes da meia noite. Almejo por meus pensamentos em ordem já faz algum tempo, e quem disse que consigo? Penso em tanta coisa ao mesmo tempo, que não sei como ainda consigo tirar conclusões exatas de tudo que eu venho buscando entender… Na verdade eu sei, não venho concluindo nada. Estou me tornando um verdadeiro ponto de interrogação ambulante, meu olhar anda distante, e os suspiros são quase constantes que chegam a me entristecer. E eu estou cansada… Quero colocar a cabeça no travesseiro, dormir a noite toda, mais a manhã e ainda um tantinho da tarde. Mas como desperdiçar esse silêncio tão aconchegante que me vem pedindo colo enquanto minha cidade toda dorme? Será que dorme? Será? Será que existe um momento antes do raiar do dia em que todos podem ser encontrados no mais profundo sono? Ao menos em noites de terças-feiras como essa, em que a grande maioria trabalha e estuda no outro dia. Bom, acho que não, sempre tem um vagabundo ou outro que não faz nada da vida a não ser coçar aquele lugar o dia todo, esperando tudo que deseja cair do céu direto em suas mãos. Tem gente por aí que não vale um misero centavo furado. Mas agora tem gente que vale tanto… Vale tanto que só de sorrir já deixa o dia mais bonito.

          Coloquei, pela primeira vez, meus pés na rodoviária de Porto Alegre. Pode não parecer grande coisa, mas para alguém do interior como eu, aquilo lá já é muito. Muito grande. Com muita gente. Demorei alguns vários minutos para achar meu bloco de ônibus, e ainda tive de subir uma rampa enorme, cheguei ao banco quase colocando os pulmões para fora, olhei o relógio e logo fechei a cara. Minha ida para casa só chegaria dali uma hora e meia. No tempo de esperar, comecei, por pensamento, espraguejar minha vida de todos os jeitos que eu podia, as coisas andaram dando muito errado ultimamente, e eu já estava a ponto de mandar quase tudo à puta que pariu, sorte de quem não tentou uma conversa inteligente e prolongada comigo hoje. Eu só estava para papos curtos e retos. 
         Observei as pessoas que estavam, assim como eu, imagino, esperando seu ônibus chegar. Várias crianças corriam de um lado para o outro, e meus olhos já reviravam: de onde elas tiram tanta energia?! Criança é mesmo bicho estranho, e pensar que um dia já fui assim. Fiquei muitos minutos observando, pensando, reparando, pensando. Eu tinha muito no que pensar, tudo estava tão torto ultimamente que eu já estava com vontade de sair da linha. De repente, meu olhar encontrou um ponto fixo: Um casal. A mulher, rindo-se toda, com um pequeno bebê totalmente enroladinho em uma manta, até parecia um embrulhozinho de presente, o homem alegre que só. Ambos, salvo o bebê, vestiam abrigos esportivos do Brasil, o do homem azul, o da mulher verde. O homem fazia gestos estranhos e sorria, a mulher ria era dele. Felicidade estava tão estampada em suas caras, que era quase palpável para quem, como eu, os observava. Era um casal tão comum quanto qualquer outro, eu sei. Talvez esse único detalhe tenha os feito ter uma beleza especial para mim: o homem estava em uma cadeira de rodas. Eu sei, muitas pessoas andam em cadeiras de rodas. Só que eles estavam tão felizes. 
          Eu fiquei, não sei por quanto tempo, olhando para eles. E percebi como eu sou realmente idiota de fechar a cara para todos os meus problemas. Fechar-me para o mundo. Para as pessoas que me querem bem, só por causa dos meus problemas. Todo mundo tem problemas, uns piores, outros um pouco mais fáceis, mas ainda assim são problemas. Quantas pessoas que estão em uma cadeira de rodas, saem por aí, rindo a toa? Muitos reclamam e chamam suas vidas de merda, já vi gente dizendo que preferia ter morrido a perder os movimentos das pernas. Mas aquele homem… Eu podia juntar a alegria de todas as pessoas que encontrei hoje (e olha que não foram poucas) que mesmo assim não chegaria nem ao calcanhar da daquele homem. E era real. Não era uma risada de fachada. Era uma risada que vinha de dentro. Meus olhos quase lacrimejaram, mas não permiti. O pequeno embrulhosinho nos braços daquela mulher, não parecia um presente, me dei conta, ele era um presente, podia ser ele o principal motivo para aqueles dois rirem a toa. Lembrei-me então de um ditado tão famoso quanto velho, e dei-me conta, que talvez ele seja um dos mais verdadeiros que existem: “Se a vida te dá limões, faça uma limonada!” E com bastante açúcar, por favor. 
          Bom, acho que vou dormir, o dia foi longo e o café já esfriou. Não sei se todos na cidade se encontram em suas camas agora, mas eu vou me encontrar lá logo, logo. Ouve! Ou melhor, não se ouve nada. Até os grilos já cessaram seus cantos. Está na hora do silêncio trazer meu sono. Sssh…

Jéssica Fernanda

Saudade é igual visita indesejada, vem sem avisar, e fica o tempo que quer.

anjoinverso:

Eduardo Galeano em “Dias e noites de amor e de guerra”.




Escuta-se ao longe o som da solidão, ouves? Cada vez mais agudo, uma oitava fora do tom, como um violino que perdeu a melodia. Jéssica fernanda

Há tamanha solidão no mundo que você pode vê-la no movimento lento dos braços de um relógio. (Charles Bukowski)


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